A FACA E OS TRANSATLÂNTICOS
as dores nasciam do cais
entrelaçadas a cachecóis
e me beijavam
as unhas pintadas
os verbos e as sintaxes
o estalar dos dentes
vibravam nas artérias
o coração
estação onde desembarcam
as dentaduras e as sandálias sujas
vezes uns fragmentos de mim
a faca a seringa o telegrama o choque do corte
seria mais fácil desvencilhar o beijo do toque
o nó da serpente na jugular
que esperar transatlânticos que nada trazem em seus apitos
só encalham na memória
o pior é que apenas eu enferrujo |