– Tia, tio, eu estou vindo de Guaramirim. Um tufão destruiu a fábrica e a casa de vocês e outras propriedades. Foi uma destruição só.
Eram mais de 10 horas da noite quando, no local, nos deparamos com aquela demolição toda. Não havia luz elétrica. Destroços de telhas, tijolos, vidros e muita água por toda a casa. À luz de velas verificamos que as camas estavam danificadas e não havia um só local onde pudéssemos descansar e esperar o dia clarear. Isolda e eu começamos, naquela mesma noite, a dar um pouco de organização àquele caos, retirando entulhos e tudo o mais. O dia clareava e percebemos a fábrica nas mesmas condições. Se parássemos para pensar, talvez caíssemos no desânimo. Convocamos todos os nossos colaboradores, que estavam de férias coletivas, para imediatamente retornar e iniciar a reconstrução. Perto do meio-dia chegaram os repórteres da RBS TV para realizar uma reportagem. Lembro o que disse na entrevista:
– Deus dá forças na proporção dos problemas encontrados e vamos superar tudo sem desesperos.
Precisava demonstrar otimismo, mesmo que estivesse arrasado. Vi minha empresa destruída a cores, no Jornal Nacional da Rede Globo, com reprise no Fantástico. Grande parte de minhas forças vinha de Isolda, objetiva e valente, que sem se lamentar punha mãos à obra. O Banco do Brasil nos disponibilizou, no mesmo dia, os recursos financeiros necessários, a juros e prazos facilitados. Essa deferência se dava pelo respeito que conquistamos na superação das dificuldades de situações anteriores. Em 60 dias tudo estava novamente no devido lugar e ficamos orgulhosos disso.
Mas, o pior ainda estava por vir, o diagnóstico de carcinoma ductal. |