“Cada livro revelado ao lado de outro, e este, ao lado de um terceiro, ramificando-se pelas prateleiras, ganha vida própria, multiplicando-se entre estantes e corredores, procurando as bibliotecas ideais, completas, inconcebíveis. Quando a vida cai, o mundo se desvanece e a biblioteca, iluminada por suas vozes, vira meu paraíso. Livros abrem portas, entortam vigas e podem levar à liberdade absoluta. Na biblioteca descobri minha tábua de salvação, meu antídoto, minha lâmpada dos pedidos e desejos. Uma ilha, na qual ancorei. Uma ilha chamada livro, à qual gostaria que chegassem as respostas escondidas, quando tudo o que ela consegue fazer é me trazer mais desejos. Livros me sacodem, mordem e me ferem como a mais dolorosa das desgraças, e me recuperam com o remédio diluído na tinta preta impressa no papel.”