Chegar até Aceh e não ir até a ilha de Pulau Weh é a mesma coisa que ir ao Rio de Janeiro a não subir ao Cristo Redentor. No caminho até o ancoradouro, onde está o barco que liga Pulau a Sumatra, um bairro à beira-mar todo destruído pelo tsunami, pra não dizer varrido. As construções leves foram levadas e se chocaram contra tudo o que se encontrava no seu caminho, terra adentro. Montanhas de escombros ainda estão lá, ao lado de tendas fornecidas por organizações internacionais, onde há famílias ainda vivendo sob elas. Assustadora é uma cova coletiva, nesse mesmo bairro. Anexo à estrutura de uma grande construção de três andares, que restou de pé – aparentava ser daqueles bombardeados na guerra do Líbano, uma cova com 54.000 pessoas enterradas como não identificadas. Percebendo que olhava aquilo boquiaberto, uma adolescente que sentava ao meu lado confirma que há mais quatro dessas covas, nas mesmas proporções, espalhadas pela cidade. Seus pais e seu irmão também não foram mais encontrados. Deve ser muito difícil encontrar alguém em Banda Aceh que não perdeu um ente querido nesse cataclismo. Até então só tendo acompanhado por fotografias e telejornais, não imaginava que a destruição fosse de tais proporções. Estrangeiros são escassos em Pulau Weh. Os únicos que aparecem, nos fins de semana, são os funcionários das Nações Unidas, que trabalham na reconstrução da região.