"Muitas tradições de teatro de bonecos remontam à Itália. Por razões geográficas, sociais, históricas e políticas, algumas das regiões mais pobres da Europa estão na Itália. A emigração sempre foi endêmica. Dentre aqueles que deixaram a Itália, seja de uma forma permanente ou apenas por um período, estavam os artistas cênicos. Os atores da Commedia dell'Arte perceberam que poderiam ganhar mais dinheiro no exterior, na França, Espanha, Inglaterra, nos Estados Germânicos ou até na Rússia, e alguns desses atores levaram bonecos com eles. Na metade do século XVII, os bonequeiros e suas companhias viajavam fazendo apresentações de marionetes, que eram freqüentemente denominadas de acordo com a figura principal, Pulcinella. Os manipuladores de bonecos de luva pertenciam à estirpe de artistas de rua e viajavam com um palco rudimentar e poucos bonecos. O mais famoso dentre esses artistas foi Giovanni Piccini, de Piacenza, que chegou à Inglaterra provavelmente por volta de 1780 e tornou-se o "pai" do espetáculo inglês Punch & Judy. Já no século XIX, artistas cruzavam o Atlântico com uma freqüência cada vez maior, particularmente para visitar a América do Sul.
Há uma pletora de referências na Época Clássica mostrando que na Itália as pessoas conheciam os bonecos. É muito provável que os clérigos medievais usassem marionetes como um meio de ensinar as escrituras, mas que, como os Mistérios Medievais, estas passaram rapidamente para as mãos dos artistas populares e logo se tornaram secularizadas, havendo, também, evidência de simples apresentações de rua com bonecos de luva. Até a unificação em 1861, a Itália era uma série de Estados, em sua maioria governada ou controlada por diferentes potências estrangeiras, e mesmo o desenvolvimento de uma única língua italiana, falada por toda a população, é um fenômeno relativamente recente. Assim como havia uma miríade de dialetos (refletidos constantemente no teatro de bonecos), existia um número de diversas tradições de bonecos. Por volta do século XVI, os bonecos começaram a aparecer, especialmente em Nápoles, como um acessório nas atividades dos charlatões. A apresentação de uma farsa curta com bonecos - incluindo quase inevitavelmente uma briga entre as figuras, que batiam uma na outra com porretes – era empregada como uma maneira divertida de atrair uma multidão, que poderia, então ser persuadida a comprar quaisquer remédios ou poções que o charlatão oferecesse."
Extraído do artigo O teatro de bonecos na Itália de John McCormick (University de Dublin) |