Esse estudo analisa as principais idéias de cinco dramaturgos e diretores teatrais do século XIX e primeiras décadas do século XX, considerados pioneiros numa nova concepção de interpretação teatral tendo como referência a marionete.
Destaca as vaiadas formas com que os artistas Kleist, Maeterlink, Craig, Jarry e Meyerhold se apropriam do teatro de marionetes como gênero artístico e da marionete como referência para o novo trabalho do ator.
Os últimos anos do século XIX e os primeiros do século XX são marcados pelo crescente interesse de dramaturgos e encenadores pela marionete. A marionetizacão do ator, a substituição do ator por bonecos e a, humanização de objetos são discussões que animam a produção teatral. Em torno dessa discussão estão os artistas que negam o teatro burguês, a estética do romantismo, do melodrama e do realismo enquanto correntes artísticas, e se abrigam sob o movimento simbolista. Tal interesse aparece de forma visível em duas direções: a marionete como referência para o comportamento do ator em cena e o teatro de marionetes como gênero artístico. Destaca-se desse modo, o fascínio pela marionetizacão do trabalho do ator e experimentações em torno da humanização de objetos.
Encenadores e dramaturgos, decepcionados com a atuação dos atores, seus histrionismos, excessos, caretas e condicionamentos psicofísicos, expressam a necessidade do ator assumir outro comportamento em cena e apontam a marionete como referência para seu trabalho. Na raiz dessa discussão encontra-se a defesa do controle sobre o trabalho do ator a ser efetuado pelo diretor; a negação do espontaneísmo, do maneirismo, do vedetismo, predominantes no comportamento dos atores naquela época; a teatralizacão do teatro; a necessidade de afirmar o diretor como o maior responsável e criador do espetáculo teatral.
Hoje, o ator marionetizado pode ser visto como o “ator perfeito”, o ator que com seus gestos e movimentos precisos, refinados, atingiu o ideal de beleza. É o ator que abandona a condição de vedete, a atuação pautada numa gestualidade cotidiana, deixando de lado as características de seu comportamento diário, os traços marcantes de sua personalidade, para realizar uma outra experiência, icônica, distanciada das propostas de interpretação realista e naturalista (...)
Extraído do texto A marionetização do ator do Prof. Dr. Valmor Níni Beltrame (UDESC)
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