A notícia – 18/11/2007
Uma vida de trabalho
Coletânea de contos e crônicas, que será lançada hoje à noite, retrata a cultura da labuta diária em Jaraguá do Sul
“Cada dia tem uma forma diferente de dar-se a ver. Outra maneira a cada manhã, repetida de tempos em tempos, logicamente, que o estoque de olhares é finito. Nem minhas retinas agüentariam tanta novidade. Às vezes abro primeiro a cortina do quarto, ao lado da cama, para saber se chove ou não, programando as lides diárias. Não é que sumiram os prédios que enfeitavam a paisagem? Ou não... Não totalmente, somente a parte de baixo está invisível, os topos dos edifícios pairam sobre o nevoeiro (...).” A crônica de Inacio Carreira, 59 anos, assessor de imprensa nascido em Santos (SP) e morador de Jaraguá do Sul há 18 anos, fala da cerração, ou neblina, que cobre os morros e prédios da cidade quase todas as manhãs e faz a paisagem ser diferente todos os dias. A mágica da atmosfera de Jaraguá foi retratada com o coração do jornalista, que sempre teve paixão por escrever.
Assim como Carreira, outros 45 escritores e amantes da literatura contribuíram para retratar o dia-a-dia de uma das cidades que mais cresce em Santa Catarina. As histórias que retratam o cotidiano do município, que é ao mesmo tempo provinciano e moderno, estão no livro “Jaraguá em Crônicas”, da Design Editora (108 páginas, R$ 20,00), que será lançado hoje no Centro Cultura Artística de Jaraguá do Sul.
No lançamento estarão presentes todos os escritores para explicar um pouco as histórias que inspiraram suas crônicas. Entre eles, o livreiro Gelson Bini, 38 anos, natural de Ponta Grossa (PR) e morador de Jaraguá há 12 anos, que conseguiu traçar um paralelo entre uma obra do escritor italiano de descendência judaica Primo Levi e o materialismo jaraguaense. A obra de Levi, “Isto é um homem?”, descreve os horrores que o próprio autor passou no holocausto, porém, sem sentimentos de ódio ou vingança. “Sem que o leitor tenha pena do autor”, completa Bini, que na crônica questiona pequenos problemas que são considerados grandiosos por muitos jaraguaenses, como uma fila no trânsito ou uma espera um pouco maior na fila do bifê a quilo.
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