A notícia – 28/08/2007

Bom dia, bonecos!


Revista “Móin-Móin” resgata formas do teatro de animação

Kasperle é o nome do teatro de bonecos popular da Alemanha e que foi muito praticado pelos imigrantes em Santa Catarina. Para quem não recorda ou nunca conheceu a técnica, a revista “Móin-Móin” lança amanhã, às 19 horas, em Rio do Sul, sua terceira edição. Sob o tema “Teatro de Bonecos Popular Brasileiro”, a publicação traz dois artigos sobre o Kasperle e mais dez textos sobre diferentes manifestações do teatro de bonecos no País.
A revista deve seu nome a Margarethe Schlünzen, marionetista falecida em 1978. Nas décadas de 1950 e1960, em Jaraguá do Sul, Margarethe encantava crianças e era recebida efusivamente nas escolas pelo cumprimento alemão “guten morgen, guten morgen” (“bom dia, bom dia”, em português), expressão que tornou o trabalho da artista conhecido como “Teatro da Móin-móin”.
Tributo
Revista deve seu nome a Margarethe Schlünzen, que encantou crianças com suas marionetes nos anos 1950 e 1960
Para resgatar essa arte, que sobreviveu na memória dos imigrantes, no lançamento da revista também será realizado o Encontro Kasper, com apresentações do teatro popular alemão. A marionetista Mery Petty apresenta “Kasperle em Jaraguá do Sul” e a professora Ina Immer faz o “Kasperle em Pomerode”. O ator-bonequeiro Ricardo Pacheco Tessaro de Florianópolis fará uma pequena apresentação com os bonecos originais utilizados pela família Emmel, de Pomerode, nas décadas de 1950 e 1960, e o marionetista alemão Hans Spiwieck, de Rio do Sul, relatará suas experiências na Alemanha.
A “Móin-Móin – Revista de Estudos sobre Teatro de Formas” foi criada para divulgar as pesquisas artísticas realizadas por grupos de teatro e as reflexões teórico-práticas produzidas nas universidades. Editada pelo professor e encenador Valmor Níni Beltrame e pelo diretor teatral Gilmar Moretti, é uma parceira entre a Sociedade Cultura Artística (SCAR), de Jaraguá do Sul, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).
A terceira edição da Móin-Móin tem 248 páginas e reúne estudos sobre várias expressões cênicas populares que florescem no País, apresentados por diferentes pesquisadores. Os artigos promovem um mergulho nas formas de teatro de bonecos praticadas por artistas populares e seus personagens: mamulengo, Casemiro Coco, João Redondo, João Minhoca, Calunga, cavalo marinho, boi-de-mamão, bumba-meu-boi e outros. A nova edição também homenageia o Mestre Chico Daniel, falecido em 3 de março deste ano e que deixou um grande legado aos que trabalham com a arte do teatro de bonecos. Com seu trabalho, ensinou a importância do humor refinado e da crítica sutil.
“O Mamulengo, considerado o autêntico boneco popular brasileiro, é muito distante de nós aqui no Sul, ou melhor, simplesmente não existe por aqui. E apesar de ambos terem as mesmas raízes, o Kasperle alemão, por conta da colonização alemã, parece-me muito mais próximo, mesmo não sendo mais praticado hoje em dia. Quem sabe com essa história toda não revitalizamos o teatro do Kasperle”, acredita Willian Walter Sieverdt, diretor do Ponto de Cultura, onde acontece o encontro e o lançamento da revista.